28 de mai. de 2013

Olhos de Lua


Num país de pessoas com olhos sempre foscos e corações frios existia uma garota diferente. Seus olhos eram intrigantes e pareciam falar mais do que qualquer palavra que ela pudesse proferir com a boca. Ninguém compreendia o porquê de ela ser diferente, mas sabiam que mais alguma coisa nela não era comum.
Ela falava coisas estranhas como esperança, confiança e amor, coisas que todos desconheciam e, por isso, desacreditavam. A chamavam de bruxa, de estranha, tinham preconceito e achavam que ela não pertencia àquele lugar. Ela, que percebia todas as diferenças também se sentia deslocada e sozinha em meio a tanta frieza.
Um dia, quando menos esperava, se deparou com um visitante. Notou na mesma hora que seus olhos também não eram foscos. Ele parecia trazer consigo uma energia boa, contraria a dos demais, e principalmente, não olhou para ela com estranheza.
Até hoje há quem não acredite no encontro deles. Todos os que estavam na volta do casal ficaram espantados quando, ao cruzarem os olhares, quase cegaram o resto das pessoas.
Os olhos de ambos brilharam tanto que pareciam luas cheias em noite bonita. O sorriso deles se abriu largo e mutuamente, como se houvessem ensaiado uma peça.
Ninguém entendia como e porquê daquela cena tão estranha aos olhos foscos, mas uma coisa era unânime: era a cena mais linda já vista por alguém.
Desde aquele dia, quem ali estava passou a observar que os olhos ficaram mais brilhantes, que os corações aqueceram e que aquilo não era ruim, e sim a melhor sensação que alguém podia sentir na vida: a certeza de que a vida pode ser bonita, de que existe amor, e que quando ele acontece os olhos brilham e os sorrisos se abrem e ninguém, jamais, consegue apagar essa luz tanto quanto não é possível apagar a luz da lua.

21 de mar. de 2013

Lugar algum


Tenho em mim uma força quase animal de querer uma vida que não é minha, mas é muito minha. Como se já tivesse sido, talvez em outra vida. Sem ela me sinto perdida num mundo que não é meu, no qual não me encaixo. Não tenho eixo, apenas disfarces pra sobreviver sem saber o que estou fazendo aqui. Por que aqui? Por que assim? Tenho saudades do que não vivi, lembranças nítidas do que não existe, planos com quem nem conheço. Parece que não tenho vínculos, chego sempre tarde. Todos os acentos já estão ocupados, todas as vidas lotadas e a minha perdida em outro mundo, outra época, em outras vidas. Vejo como se eu estivesse dividida em diversas partes, pessoas e vidas, mas nunca inteira; nunca completa. Sinto uma angustia terrível por nunca encontrar o caminho que leva a minha verdade, a mim mesma. Fico imersa num mar escuro e frio, tão solitário. Tenho muita força, mas ela de nada adianta. Sem um rumo tanto faz se estou sendo fraca. Mas continuo, sempre continuo, caio, levanto, procuro, procuro e procuro. Quem sabe um dia meu quebra-cabeça fique completo, talvez não. Mas sempre há o lado de lá, o outro plano para me dar esperança de que em algum lugar eu exista, mas por hoje não é aqui e não é agora.


VL

22 de jan. de 2013

Carne Viva


A dor de vomitar verdades num rompante é imensa. 
É como se tivesse tirado um peso de todo seu corpo. Mas não qualquer peso. Tiraram sua pele, sua carne.
Você fica em carne viva e latejando, sentindo a ardência das verdades ditas, das magoas criadas e das mentiras proferidas a você como um tapa.
Você sabia que aquilo era mentira, você sabia que aquelas culpas não eram suas, você sabia que não deveria estar ali. 
Então você arranca isso de você e devolve para quem te deu e junto vai metade do seu corpo e da sua paz.
Talvez ninguém mereça verdades tão tuas, tão nuas, mas você estava sufocando e não havia mais o que fazer. Você já tinha pintado elas de outras cores, escondido em outros cômodos, embrulhado-as em papeis bonitos, mas elas sempre estiveram ali, fazendo questão de te lembrar coisas ruins.
Agora tudo foi dito. E você, sensível, precisando de um carinho que te cure a alma e regenere sua fé. Fé de que é possível se doar, sentir, sonhar sem perder parte de si. 

28 de dez. de 2012


Sempre fui dona dos meus erros. 
Conhecia com a palma da mão e a sola dos pés o abismo em que me atirava. 
Cada pulo me trazia um prêmio, que eu colocava na estante para mostrar o quanto tinha sido capaz aprender sobre ele.
O erro de me jogar deveria me trazer você, sempre trouxe.
Ele nos unia enquanto o perdão nos separava.

Me atirei novamente, esperava te encontrar ali
pronto a me solicitar um pedido de perdão pois o pedido estava pronto e ele finalmente nos uniria.
Mas você não apareceu 
e eu não consegui voltar, 
não consegui meu prêmio,
o erro não tinha mais um bônus, 
apenas um peso que me derrubava cada vez mais fundo. 

Nunca fui capaz de perceber que quem me dava os troféus era você, 
que quem me resgatava não era minha força - era a sua. 
Que o perdão sem você era pedido a ermo e o nada não perdoava.

Hoje me afoguei. Impossível respirar nesse mar de culpa sem perdão, 
de dor sem acalento, de fé sem sustento.

21 de set. de 2012

A culpa é toda sua e nunca foi

"Deixa, se fosse sempre assim quente
Deita aqui perto de mim
Tem dias que tudo está em paz
E agora os dias são iguais
Se fosse só sentir saudade

Mas tem sempre algo mais
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora que estou sozinho
Mas não venha me roubar

[...]


Vai ver que não é nada disso

Vai ver que já não sei quem sou
Vai ver que nunca fui o mesmo
A culpa é toda sua e nunca foi"

6 de mai. de 2012

    Eu Tenho vontade de ser mais, viver mais, querer mais. Sair por aí com mochila nas costas sem destino, pois seria muito triste, mas com todos os destinos do mundo.  Colocar a barraca nos lugares mais lindos e descobrir como é o sol e as estrelas desse lugar. Conhecer aquela sensação de liberdade que dá um vazio tão grande que faz com que saibamos em alguns segundos quem realmente somos e depois voltar pra casa, sentir o cheiro das minhas coisas e fazer o que planejava só que melhor, afinal eu saberia quem está fazendo e como tudo deve ser realmente feito.

28 de set. de 2011

chegue calmo
com olhar ácido
cheiro doce
e gosto de sonho recém chegado;

fique

se reclamar que estás corroendo meu corpo

olhe-me com doçura
encha-me com cheiro de paraíso
beije-me com gosto ácido

se reclamar que estás corroendo meu ser

segure-me com firmeza

Olhe-me com loucura
dê-me um beijo doce
e saiba que sou tua